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Terça-feira, 17 de Novembro de 2015

Doenças cardíacas no Boxer – Parte I – Sopros Cardíacos

baner.jpg

 

 INTRODUÇÃO

Os Boxers são considerados como uma das raças de cães mais predispostas para doença cardíaca (1). No entanto, nem todos os Boxers com um sopro cardíaco têm doença cardíaca. Para facilitar a discussão das doenças cardíacas dos Boxers, irei falar primeiro no significado dos sopros cardíacos em cachorros. Na segunda parte desta publicação irei abordar as estenoses congénitas dos grandes vasos cardíacos, geralmente associadas a esses sopros. Na terceira parte desta publicação falarei das doenças do miocárdio (cardiomiopatias), explicando o que se entende por “cardiomiopatia do Boxer” e as suas diferenças para a cardiomiopatia dilatada mais típica em outras raças.

 

SOPRO CARDÍACO EM CACHORROS – INTRODUÇÃO

A identificação de um sopro cardíaco num cachorro, durante a primeira consulta para vacinação que ocorre geralmente entre as 5 e as 8 semanas de idade, é um achado muito frequente. Importa primeiro esclarecer o que é um sopro cardíaco. A auscultação normal dos cães (assim como a dos gatos, humanos e restantes mamíferos) é constituída por dois sons bem distintos, intercalados por momentos de silêncio (pausa sistólica e pausa diastólica). Quanto menor for a frequência cardíaca (por exemplo em raças gigantes, em humanos ou em mamíferos de grande porte) mais fácil é identificar com clareza ambos os sons. O primeiro som (S1) corresponde ao início da sístole e ao fecho das válvulas atrioventriculares (mitral e tricúspide); o segundo som (S2) corresponde ao final da sístole e ao fecho das válvulas semilunares (aórtica e pulmonar).

 Figura1.jpg

Quando auscultamos um sopro ele ocupa os momentos de pausa entre os sons cardíacos (um sopro sistólico é audível entre S1 e S2; um sopro diastólico é audível após S2). É importante realçar que um sopro cardíaco surge quando temos uma ou duas das seguintes alterações: aumento de velocidade e/ou turbulência do fluxo sanguíneo no interior do coração ou grandes vasos. Os sopros cardíacos são classificados em graus de intensidade, como ligeiros (grau I e II), moderados (grau III e IV) e intensos (grau V e VI). 

 

QUAL O SIGNIFICADO DE UM SOPRO CARDÍACO DETECTADO NUM CACHORRO?

Em termos clínicos, dividimos os sopros em 2 tipos bem distintos, quanto à sua causa: sopros “fisiológicos” (também chamados “benignos” ou “inocentes”) e sopros cardíacos provocados por doença cardíaca. A distinção só é possível realizando exames cardíacos e outros exames complementares para descartar as causas fisiológicas de sopro. Os sopros “fisiológicos” são os sopros que não estão relacionados com qualquer doença cardíaca identificável. Surgem geralmente em consequência de doenças extra-cardíacas que provocam alterações na viscosidade sanguínea (anemia, hipoproteinémia) ou na contractilidade cardíaca/velocidade de fluxo (hipertiroidismo). Em animais muito jovens podem igualmente surgir sopros considerados “inocentes”, para os quais não se consegue associar doença cardíaca ou sistémica como causa. Estes sopros desaparecem ao longo do crescimento do animal. Todos os sopros de origem extra-cardíaca são geralmente sopros sistólicos de baixo grau. 

Figura2.jpg

Os sopros cardíacos verdadeiros, resultantes de alterações estruturais no coração, têm geralmente uma intensidade ou grau variável, mas tendencialmente elevado. São exemplos destes sopros os que resultam de estenoses congénitas dos grandes vasos (sopro sistólico de ejecção no início da sístole), de insuficiência mitral (sopro sistólico ao longo de toda a sístole) ou de insuficiência das válvulas semilunares (sopro diastólico de baixa intensidade).

OS SOPROS DOS BOXERS TÊM ALGUMA PARTICULARIDADE?

Um estudo de 2010 (2) sobre sopros em cachorros desta raça, comprovou que existem diversos casos de sopro sem que haja estenose dos grandes vasos ou alteração estrutural identificável. Neste estudo, em 309 Boxers auscultados, 82 tinham um sopro cardíaco na base do coração (local de auscultação de estenose aórtica e pulmonar). No entanto, depois de realizada a ecocardiografia, verificou-se o diagnóstico de estenose aórtica em 25 animais e estenose pulmonar em 10. Ou seja, dos 82 Boxers com sopro, “apenas” 35 tinham uma forma de estenose congénita. Um estudo de 2003 já tinha levantado esta hipótese, embora analisando apenas estenose aórtica (3) Existe portanto uma probabilidade real de auscultarmos um sopro na primeira consulta e ele não ter significado clínico relevante. Isto é válido particularmente para os sopros de baixa intensidade (I e II). A partir do grau III a probabilidade de o animal sofrer de estenose dos grandes vasos é mais elevada. A causa destes sopros não associados a estenose deve ser avaliada caso a caso, mas é geralmente irrelevante em termos clínicos; pode estar associada a diâmetros próximos de estenose ou a pequenos defeitos no septo atrial, como sugerido por um estudo de 2006 (4).

É muito importante que todos os cachorros de raça Boxer sejam auscultados pelo menos uma vez em ambiente adequado, até aos dois meses de idade. Qualquer sopro de grau III a VI deve ser encaminhado imediatamente para investigação adicional por ecocardiografia. Os sopros de grau I e II devem ser reavaliados na altura da revacinação mensal e ser então recomendados para ecocardiografia caso persistam ou aumente o seu grau.

Todos os criadores e proprietários de Boxers devem estar informados quanto ao verdadeiro significado de um sopro mas nunca devem desvalorizá-lo, dado que ele pode significar uma alteração congénita grave que poderá vir a afectar não só o próprio animal como a sua descendência. 

 

  1. Oliveira P, Domenech O, Silva J, Vannini S, Bussadori R, Bussadori C. Retrospective review of congenital heart disease in 976 dogs. Journal of veterinary internal medicine / American College of Veterinary Internal Medicine. 2011;25(3):477-83.
  2. Hopfner R, Glaus T, Gardelle O, Amberger C, Glardon O, Doherr MG, et al. [Prevalence of heart murmurs, aortic and pulmonic stenosis in boxers presented for pre-breeding exams in Switzerland]. Schweizer Archiv fur Tierheilkunde. 2010;152(7):319-24.
  3. Koplitz SL, Meurs KM, Spier AW, Bonagura JD, Fuentes VL, Wright NA. Aortic ejection velocity in healthy Boxers with soft cardiac murmurs and Boxers without cardiac murmurs: 201 cases (1997-2001). Journal of the American Veterinary Medical Association. 2003;222(6):770-4.
  4. Chetboul V, Trolle JM, Nicolle A, Carlos Sampedrano C, Gouni V, Laforge H, et al. Congenital heart diseases in the boxer dog: A retrospective study of 105 cases (1998-2005). Journal of veterinary medicine A, Physiology, pathology, clinical medicine. 2006;53(7):346-51.
publicado por Blog do Boxer às 20:59

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