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Segunda-feira, 23 de Março de 2015

De zero até os três meses

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É o mais importante período para a máxima e absoluta aprendizagem


Há já vários anos que eu dedico uma especial atenção ao crescimento das minhas ninhadas.
Naturalmente os meus cuidados passam pela atenção à sua saúde, à sua alimentação e proteção contra eventuais doenças. Contudo há algo que eu sempre tenho presente: observar o comportamento dos cachorros desde o seu nascimento.  


Considero que os criadores têm um papel muito importante no relacionamento com o cachorro, no sentido de que no futuro este seja capaz de utilizar da melhor maneira as suas qualidades naturais.


O período de tempo do nascimento até os três anos de idade tem sido profundamente estudado por ser muito importante para as crianças. Este intervalo de tempo pode ser comparado, no caso dos cachorros, ao intervalo entre o nascimento e os três meses de idade.


É muito vasta a literatura dedicada aos primeiros três anos de vida dos humanos, uma importante referência bibliográfica é o livro intitulado “De zero até os três anos”, de Piero Angela. É um livro que não é recente mas que continua actual.


Há também boa literatura canina da autoria de vários estudiosos americanos. Do meu ponto de vista há indicações importantes reveladas por eles. Penso que é muito importante que quem decida criar uma ninhada conheça bem as fases de desenvolvimento dos cachorros. Principalmente porque respeitando essas fases ele pode evitar perigosas complicações com o cachorro.


Durante o parto, sempre que possível, é melhor deixar que a cadela viva essa experiencia. Isto não deve excluir a nossa cuidadosa e activa presença em caso de necessidade.


Primeira Fase

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Relativamente à primeira fase, isto é, as primeiras três semanas de vida, é necessário ter em conta quais são as necessidades do cachorro: comida, sono, calor, contacto com a mãe e contacto com os irmãos.
Nos primeiros dias os cachorros reagem apenas à fome e à temperatura. A partir dos dez dias de vida também reagem ao toque. É relativamente fácil observar que eles percebem a diferença entre o calor da mãe e a mão de alguma pessoa (de facto sendo tocados por uma mão, eles mostram um ligeiro enrijecimento)


Isto permite-nos compreender que nesta altura devemos mexer neles apenas quando necessário. Nesta fase, as principais regras a respeitar são: dar-lhes sossego e excluir presenças estranhas.


É possível testar a viabilidade dos cachorros observando as escolhas instintivas da mãe. Instintivamente a mãe escolherá em primeiro lugar os cachorros mais viáveis (isto é válido apenas para os primeiros dois cachorros).


Segunda Fase


A segunda fase é do 21º dia até o 28º .  Neste período é necessário manter os cachorros num ambiente calmo, mas para além das necessidades da primeira fase, agora começam o desenvolvimento dos sentidos, a percepção de barulhos da luz e especialmente a sociabilização. Neste último caso uma maior sociabilização entre os irmão e numa menor medida com as pessoas.


Nesta altura começa a exploração do ambiente circundante e qualquer interacção com os cachorros deve ser feita com muita prudência. Não obstante deve ser aumentado de maneira gradual o toque, os ruídos, novos cheiros e contacto com pessoas.


Terceira fase

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Na terceira fase (quita, sexta e sétima semana) é necessário aumentar, também de forma gradual, o contacto com os humanos. Se nas primeiras duas fases é melhor um relacionamento com uma única pessoa, a partir do 28º dia em diante o número de pessoas que se aproximam dos cachorros deve ser numeroso.


A quinta semana é a mais importante na sociabilização com os indivíduos da sua espécie. É quando é estabelecida a hierarquia entre eles, embora possa vir a ser alterada. Da sua mãe os cachorros aprendem a obediência, a subordinação e a inibição da mordida.


O período entre o 28º e o 44º dia é muito importante para desenvolver o sentido da limpeza. É esta a altura certa para os ensinar a defecar fora, na relva.

 

Nesta fase é negativo manter um ambiente muito calmo, sem ruídos e visitantes. É necessário educar os cachorros a ouvir barulhos inusuais. De maneira gradual podem ser introduzidas gravações de áudio, som de buzinas, de pratos, etc. A reacção dos cachorros a estes ruídos é sempre a mesma: afastam-se a correr. Mas isto não deve ser motivo de preocupação. É importante observar o tempo que levam a retornar ao sitio do qual se afastaram e observar o seu comportamento.


Também é aconselhável colocar na cama dos cachorros (ou no ambiente circundante) alguns objectos inusuais que sejam feitos de materiais diferentes e que também sejam diferentes nas suas formas e ruídos que produzem.


A partir da sexta semana (do 36º  até o 42º dia)  é necessário começar a separar o cachorro dos seus irmão e da sua mãe. Logo deve dedicar-se exclusivamente a ele todos os dias, durante algum tempo. No início durante 5 ou 10 minutos. Este tempo deve ser aumentado gradualmente de maneira a estabelecer uma ligação com o cachorro. É importante diminuir o contacto com o outros da sua espécie e aprofundar o relacionamento com os homens. Na prática estamos a começar a modificar a  formação natural do cachorro, de maneira ao integrar com os humanos. Isto é especialmente propedêutico para o seu futuro. Esta fase é muito importante porque é nela que é estabelecido o correcto balanceamento entre a natureza canina do cachorro e a sua ligação com as pessoas.


Se queremos uma boa sociabilização dos cachorros com as pessoas em geral, esta é a altura certa para convidar amigos e pessoas a brincar com os cachorros.


Quarta Fase

 

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Se nas fase anteriores foi induzida uma boa sociabilização com os humanos, agora isto deve ser reforçado. O cão está pronto para reconhecer o homem como o líder da matilha. É desejável que ele também tenha contacto com todos os membros da família.


Durante a oitava e nona semana é necessário afastar o cachorro de todas as eventuais experiencias traumática. De facto neste período é desenvolvida nele a sensação de medo. Se possível, durante estas semanas é melhor não ceder o cachorro. Deve ser dada uma especial atenção aos possíveis traumas. É preciso ser o mais natural possível, ser o líder da matilha, brincar com eles, alimenta-lhos e aumentar o tom da voz. Isto tudo com naturalidade e moderação.


É agora a altura certa para uma máxima e absoluta aprendizagem e apra uma integração com os humanos . Ou seja, a partir deste momento pode relacionar-se com o cachorro baseado naquilo que pretende para ele enquanto cão adulto. Para isso é preciso considerar o seu comportamento natural. Se ele passa por uma crise, motivada por algum exagero seu, esses momentos serão ultrapassados facilmente com bondade e moderação.


Esta análise esquemática das diferentes fases de desenvolvimento é o corolário de um grande trabalho de observações cuidadosas dos resultados de testes realizados.


Obviamente não listarei todos os testes que podem ser realizados, mas a partir da terceira fase existem vários testes que podem ajudar o criador com resultados que podem ser registados. Todo este conhecimento, na minha opinião, pode vir a constituir um importante conhecimento cultural. Gostaria de lembrar um famoso escritor contemporâneo que afirmou: “Cultura é tudo aquilo que não parece ser cultura”

publicado por Blog do Boxer às 18:12

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6 comentários:
De Eva Laranjeira a 23 de Março de 2015 às 21:03
Excelentes linhas de orientação! Acredito que cumprindo estes passos as ninhadas poderão ser muito mais equilibradas. Muito obrigada por mais este artigo.
De Blog do Boxer a 25 de Março de 2015 às 19:35
Muito obrigado Eva!
De Anónimo a 25 de Março de 2015 às 18:45
Todos sabemos e temos a preocupação com a saúde do filhotes, mas muitos esquecem da formação de caráter, comportamento e temperamento dos mesmo. Por isso vemos muitas diferenças entre os cães nascidos em diferentes continentes.
Excelente artigo, muito útil para os criadores e proprietários...
De Blog do Boxer a 25 de Março de 2015 às 19:36
Muito obrigado! Espero que continue visitar o nosso blog. Temos vários materiais em preparação.
De Flávio Dias a 1 de Abril de 2015 às 15:23
Muito bom post Juan. Ajudará certamente muitas pessoas a terem ninhadas mais equilibradas.
De Blog do Boxer a 1 de Abril de 2015 às 17:11
Obrigado Flávio!

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